Lobivar Matos

Lavadeiras


A manhã, – lavadeira velha –
esfregou o sol
e o estendeu na terra pra secar.

As casinhas de madeira
tortas
beiçudas
remendadas de lata

circulando o morro,
abrem os olhos, que são janelas quebradas,
e ficam olhando o rio
que, sinuoso,
passa, correndo, em baixo.

Umas mulheres gordas
carregando bacias de roupa na cabeça
descem o morro e vão à beira do rio.

São as lavadeiras.
As mulheres heroicas,
que trabalham para sustentar os filhos,
aqueles meninos amarelos e barrigudos
que ficaram em casa
choramingando uma choraminga de fome.

São as lavadeiras.
As mulheres conformadas,
que apanham dos maridos,
dos maridos vagabundos,
dos maridos jogadores,
que bebem cachaça nos boliches
e, depois, em casa, espancam os filhos,
descompõem as mulheres,
em vez de trabalharem também!

Dom Aquino Corrêa

Arte poética


Se queres, poeta, que tua alma cante,
Rumo ao céu, como a alada cotovia,
Dá-lhe as asas da prece ardente e pia,
Ao sol da fé, da tua fé radiante.

Estuda, estuda a fundo, noite e dia,
O belo idioma límpido e cantante,
Para engastar a rima de diamante,
No ouro velho da clássica harmonia.

Deixa depois teu estro voar, sem tolas
Preocupações de mestres, nem escolas:
Fala-te o próprio Deus, no amplo universo!

Vai assim ao ideal que é a formosura
Do espírito a brilhar, eterna e pura,
Na áurea beleza plástica do verso!

Vagner Braz

O DESENCONTRO DE UM ENCONTRO

Para Chayenne Brito e Renata Maria Zocal


Não somos perfeitos e ninguém o é
Vamos salvar a poesia
Que ao versar suas palavras
Eterniza as coisas, os seres,
.....................
............................
....................................
..........................................
................................................
Os tempos... O tempo!
Etc.
Etc.
Etc.
Assim é a vida,
Nascemos de um encontro,
E de incontáveis encontros e vivências,
Vamos participando e celebrando.
O importante nessa travessia da vida
É que levamos marcas
Que norteiam e estruturam
Nosso jeito de ser e de viver
O desencontro de um encontro.

Vagner Braz


O CHORO






Poema dedicado a Obra de Arte O Choro de Marcos Anthoni





Imediatamente choram os olhos
Canto-me com o seu choro
A solidão pensa o outrem
Sou vida e sou morte
Dou a mão e água
Por um dia com você
Sobrevém à chuva da minha alma

Como o choro da despedida
Desesperada nos meus olhares

Das faces
Que abarrota o meu coração

Hoje sou eu quem choro
Choros do céu em vida
Chora a Mulher seus bel-prazeres
E Eu à Vida por magnitude quero.



Vagner Braz

A MULHER DA VOZ INOLVIDÁVEL


Poema dedicado para Josi Oliveira
A voz da humanidade os deuses acolheram
Era vivo, era morto, era música
Tudo compõe a linguagem falada

Todas as manhãs eu ouço
O Programa de Rádio da Josi
A Mulher da voz inolvidável

Que alegra e contenta
Os desejos de seus ouvintes
Do Vale do Guaporé ao Vale do Jauru

Desde o nosso primeiro encontro
Na cidade de Pontes e Lacerda
Porta de título para a Amazônia

A Adele cantou Someone Like You
Alguém como você vive
Nas memórias de um sangue povo

Vagner Braz


TRANSANTE AMIZADE








Para Minha Amiga Renata Maria Zocal





Mulher alma de anjo
Sinto-me tão clichê ao falar de você
Transante em corpo e espírito
De boca carnuda
De olhar transparente
Menina mulher
Que descobriu sua identidade
Num mundo sem amor
Sem flores
Pensadora da liberdade humana
Livre até do livre arbítrio
Tu és livre e verdadeira em si...
Depois de tudo isso
Paro e vejo a transante amizade
Que vive em tu
Obviamente, assim é você.

Vagner Braz


­­­­­­­­­­ CASTELNAU[1]






O conhecimento evidencia o tempo
Pois bem, como a história os fatos
Caso não se saiba como empregá-lo
Armazena as palavras e cultiva a poesia
Tal como fazem as mãos do poeta
Ninguém irá interpretar esses poucos versos
Acreditando que o corpo chora
Que a alma ao vê-lo
Esquece
Perde
Voa pelos espelhos do tempo... O fio telegráfico!
É Indubitável o que sinto, neste poema de realizações,
A cidade de Pontes e Lacerda se aformoseia
Transpondo o Vale do Guaporé com grandeza
A Princesa (ou Princesinha para seus consortes) governa
Respira vida e exuberâncias
Viva a nossa Castelnau!



[1] GEN, Frederico Rondon. Pelos Sertões e Fronteiras do Brasil; Sob as ordens de Rondon, o Civilizador. Rio de Janeiro: Peper Editora, 1969.

Vagner Braz


SEUS ESPELHOS






Desde o princípio
No universo
A beleza
É qualquer coisa
Que extasia
A todos os seres
Pedra,
Árvore,
Água,
Águia,
Homem,
Mulher,
E seus espelhos
Que feios quebram em transparências
Independente da origem ou da língua
O belo descreve a semântica,
A sintaxe, a morfologia, a fonética,
Porém, o trágico em vida acontece!
A intuição matou Narciso,
Ou a beleza de Ser Homem?
Nossos olhos... Ilude o feio?
E o belo?
Está intrínseca ao ser humano,
Com o sentimento trágico.
Através de pelejas e palavras
Que corroboram o desembaraço,
Da vida e da vivacidade da alma
Como José de Mesquita o perpetrou.

Vagner Braz


LÁGRIMAS SÃO LAMAS NOS SORRISOS DA INVEJA








A vida é bela?
Ninguém nasce ou morre por um simples acaso do Senhor Destino.
Lágrimas são lamas nos sorrisos da inveja
E suas lanternas fecham o lenço das máscaras
Não seja uma marionete...
Seja um marinheiro maquiado ao mar.
Sem nó, sem dúvida!

Vagner Braz

Sinto-me ansioso
Com fome de você
Está negra a Lua
E a noite canta
Meus desejos
Teus beijos
Seus sorrisos
Aos sons das estrelas

(Vagner Braz, 09 de Novembro de 2015, às 23 horas e 11 minutos)


I feel anxious
Starveling of you
It is black the Moon
And the night sings
My wishes
Thine kisses
Your smiles
To the sounds of the stars


(Vagner Braz, November 9, 2015, at 23 hours and 11 minutes)

Vagner Braz

GOTA




Aos sons
Do Vento
Eu penso
Em você
O Tempo canta
Com a musicalidade
D’Água
Gota a gota
Da torneira
Soluçam a minha solidão

Tenho sede de você
Um desejo vivo...
Contudo, só eu conheço!

Vagner Braz

Um beijo
Um sorriso
Um Homem
Alegre chega
No universo

Dos versos
De vidas

Cantadas aos beijos...

(Dedicado ao B.Q.D.)

Eduardo Mahon

Caro ex-amigo,
no convite extraviado,
marque hora e lugar
para nosso desencontro.
Por favor, não se atrase:
conto com sua ausência.

Eduardo Mahon

O tempo
me fez assim:
nada mais
do que menos
de mim.


Do livro "Meia palavra vasta" (2014)

Vagner Braz

EU SÓ PEÇO



Eu só peço... Ó Criador!
Que a Aflição não me constitua apático
Não, não, não...
Indiferente na badalada da Morte.
Que a Iniquidade não me signifique imperceptível
Não, não, não...
Indiferente na natureza da Solidão.
Que a Guerra não me jaza indolente
Não, não, não...
Indiferente na probabilidade da Paz.
Que a Aleivosia não me adsorva impassível
Não, não, não...
Indiferente na relatividade da Existência.
Que o Futuro não me experimenta abnegação
Não, não, não...
Indiferente para viver em Vida.

Eu só peço... Ó Deus Pai!

Vagner Braz

12 DE JUNHO

Meu almejado Amor,
Estes versos deseja asseverar tudo o que eu pressinto por você.
Anseio dizer-lhe mais uma vez o quanto sou bem-aventurado
Em poder tê-lo comigo, em sonho, sonho, sonho...

Mesmo que seja eventualmente e por menos temporada
do que eu verdadeiramente gostaria
Por favor, não perceba isso como uma exigência,
pois os momentos em que estamos juntos, em sonho, sonho, sonho...

Equilibram de modo pleno os momentos de separação, carência.
Crê quando te pronuncio que desejo estar contigo
Só acredito que experimentes o próprio
Os quais se vinculam dentro de mim...
que abrolhaste o primeiro tempo que articulastes comigo

Experimentei-me a felicidade...
Posso até transformar o mundo do avesso
Contudo se não te localizar de lhufas existirá importância tal a travessia...
Mas sei que em teu coração... Que guarda em si... O que mais procuro:
O Amor...

OS POETAS


 
A poesia é o que liberta
A humanidade...
Cada verso que perpetro
É um pouco de mim,
De minha essência,
De minha Alma.
Um ser humano...
Banhado pela água da vida.
E Freud explica:


“Valiosos aliados são, porém, os poetas, e seus testemunhos são preciosas notas tônicas, porque eles costumam saber uma multitude de coisas entre o céu e a terra sobre as quais o nosso saber escolar nem chega a sonhar. No conhecimento da alma eles estão bem à frente de nós, que vivemos na rotina do dia a dia; eles estão haurindo de mananciais que nós ainda não perscrutávamos para o uso da ciência.”

Aclyse Mattos

Arcádia

Versos são como dentes:
muito perfeitos
parecem falsos.

POESIA EM DUETO





Somos tod@s umas grandes igrejas,
com lindos e reluzentes vitrais,
que s´ensaiam até não se aguentar
e o peito explodir por amor demais.

Somos tão jeans...
cabendo em todos os corpos
amorfos, disformes, informes,
amáveis, estáveis, instáveis 
e sagrados.  




Por Ana Paula Carnahiba e Gibran Lachowski


Wlademir Dias Pino

Céu céu céu
Céu ave sol sol sol
Sol ave luz luz luz
Luz ave
Ave asa asa asa
Asa ave vôo vôovôo ave
Vai ave

Antônio Sodré

Vou por uma estrada suspensa no ar!


Supersônica, veloz,
Albatroz com asas de espuma,
A borbulhar, voando
Me levando,
Nos levando,
No sentido explícito
Da Leveza!

João Bosquo

Sorrisos

Os dentes brancos
de Juliana Pais
parecem artificiais
com’a dentadura
de Marilyn Monroe.

Os dentes brancos
de Juliana Pais
com’a dentadura
de Marilyn Monroe
parecem artificiais.

Rubem Dutra

QUE PENA! CHAMOU O NUMERO DA MINHA SENHA

Mesmo aguardado a minha senha
O meu numero ser chamado
Eu ali no assento daquele banco 
Há uma viagem, o meu pensamento me levava.
Como um pássaro, que migram a outros países.
Lá do alto, pude ver com mais detalhes.
Um grande tapete verde cobria toda a face da terra
Só os rios cotavam o tapete verde com suas água límpida
As altas cachoeiras com suas brisas regavam
As arvores e as suas flores que formava um lindo jardim
Em toda a minha viagem, não vi o homem neste paraíso.
Talvez fosse de lá que o homem foi expulso
Que pena chamou o numero da minha senha

Rubem Dutra

      

Pensando bem

Sem explicar, penso na quilo
Os que ouvem pensa que penso naquilo
Errado está seu pensar!
Pois naquilo não penso

Estou fazendo uma força tamanha
Pra perder um pouco de banha esbelto ficar
Pois vou andando bem devagarzinho
Procurando um caminho sem se cansar

Mais rápido pegar o melhor dessa vida
Como uma pagina virada já esquecida
Um novo começo, um novo caminho.

Fazendo um ninho pra mim aquietar

Rubem Dutra

Qual é a Sua História


Cada um tem uma história de vida
Muitos começam suas histórias nuas e cruas
Mas todos têm, ou cria as suas próprias.
Há também histórias que nascem prontas

Outras através das marcas se lêem no rosto.
Há tantas histórias que poderia ter um final feliz
Também brilhantes mentes, indo para o ralo.
Muitas pessoas não esforçaram para ter um final feliz

Incidentes são especialistas em mudar história
As desilusões trazem grande desgraça
Levam pessoas há habitar nas ruas e nas praças
Só o amor enxuga a lágrima da dor

O esforço é a chave! Sem ela a história não muda.
Exercitem, vibrem e sorriem, emocionem-se
Não podemos deixar que tudo passe despercebido
A nossa história não será escrita e somos esquecidos

Rubem

Rubem Dutra


OS PERIGOS DE SONHAR   


É muito fácil falar de Sonhos                                
Pois, cada individuo tem os seus
Todos os Sonhos tem os seus porquês
Os porquês precisa ter suas importâncias

Que a motivação seja o tamanho de seu sonho
Existem grandes sonhos, e sonhos pequenos.
Todos são muito difíceis em realizar-los
É preciso passar pelos degraus para alcançar-los

São os degraus que ensina como vencer-los,
Sonhar somente por vaidade, é correr atrás do vento.
A vida é perigosa sem passar pelos degraus
O Sonho pode se tornar em pesadelo




Vagner Braz

A poesia é o momento do imaginário, das vidas que eu não habitei ou das que eu ainda vou viver ou das que eu vivo pelos outros. O poema de hoje, no entanto, é diferente. Talvez a tessitura não esteja tão boa. Talvez os versos não estejam tão bem trabalhados. No entanto, foi o que eu quis escrever.

VASSALAGEM AO NATAL

É noite de Natal,
E eu sozinho com a solidão,
Num quarto de natureza escura
Perto da Rodovia 174
Ouvindo o silêncio da noite

Nesse mesmo momento na cidade
Hás pessoas bêbadas e em felicidade
Furando sinal vermelho
Explodindo suas alegrias
Ao doce toque de vinho, cerveja ou whisky
Em vassalagem ao natal de Cristo.

Em breve terei terminado esta poesia de...
Pela madrugada
Tomarei banho de água fria,
Voltarei para cama,
Comerei um pão,
Estirado na cama,
Esperando o celular tocar,
É noite de Natal, e eu sozinho.



FELIZ NATAL!

Leidyanne Andrade

 




  
 Essa noite, 
Todas as preciosidades desejaram a atenção para qual eu dou a este céu.          
Esta noite todos as pertubações desejaram ser amadas,                                                                                                                                         do mesmo modo em que eu amei esta noite.                                                      
(Leidyanne Andrade)

Leidyanne Andrade

 



Eu poderia perder todas as poesias 

para permanecer em teus olhos.

Minhas voz se perde ao te contemplar. 

Enquanto lagrimas saem dos meus olhos

Eu poderia te amar a noite toda

só observando os teus olhos.


(Leidyanne Andrade)

Leidyanne Andrade

 




Sussurros entre os ouvidos
Pernas se contorcem ao som
O som estremece a coluna
Coluna que sustentada aquela ar serio que se desfaz.

Choques de desejos
Que sinto até os joelhos
Quando mais perto chega a hora de se amar.

A boca o ouvido
Soneto mais que infinito
Tiram todo o meu equilíbrio
Quando mais se deseja chegar.

A busca por nervos
Mãos, pele
Desejo.
É como se estivesse chegando lá.

A boca ainda contas historias
As mãos se seguram
A boca se fecha
Enquanto fantasias você começa a me falar.

Não pare,
Não avance,
Continue.
A boca o ouvido.
Tudo o que você precisa para me calar.


(Leidyanne Andrade)

" Tá Crecêno o Arraiá!!!", por Sady Folch - Um Peregrino da Palavra





O poema “Tá Crecêno o Arraiá!!!”, o escrevi inspirado pela foto noturna da ponte sobre o Rio Cuiabá, registrada pelo fotógrafo e amigo Rai Reis.


Traduz a expressão de um morador ribeirinho, um pescador, que esteve muito tempo longe da cidade e quando a ela retorna, se depara com uma ponte nova e moderna atravessando o rio Cuiabá de sua juventude e cultura.

O poema foi apresentado em 2007, na pós-graduação em Formação de Escritores, coordenada pelo Prof. Gabriel Perissé, na ESDC, em São Paulo. (Sady Folch - Um Peregrino da Palavra)

"TÁ CRECÊNO O ARRAIÁ !!!"

Vidge nossa!! Tá crecêno o arraiá!!
Ostro dia, Vila Reá do Bom Jesus de Cuiabá,
Num foi tempo passô por lá,
Nhô Nezinho, nhô Neco e também Curimbatá...

Os povo que lá habita,
Proseia feito dona Nezita,
E se for pra proseá,
Num tem tempo de amargá...

Inté faláro dos poeta,
E dos sarás que tem por lá,
E os cantadô que num aquéta,
Virô nota de djorná...

Construíro ponte nova,
Pra no rio podê passá,
Esses povo num tá prosa,
O que será do Cuiabá...

Rio belo e formoso,
Dotras vez a navegá,
Hodje, pesca de barranco,
Nem isso tem pra acarmá...

Que sardade de Cuiabá!!!

Da cadêra de balanço,
Na varanda de dona Nhanhá,
Onde nós buscava descanso,
Nos causo a nos contá...

Do poeta Sirva Freire,
Hóme iguar num tinha prosa,
Andava inté dez arqueire,
Pra falá de flôr formosa!

E de nhô Manuer de Barros,
Que pintchô de lá mucinho,
Foi prás banda do Corumbá,
Prá poetá os passarinho...

Que sardade desse tempo,
Das coisa que ficô lá,
Da natureza que era templo,
E dos pêtche do Cuiabá...

Hodje as ponte são moderna,
E os tropêro djá não há,
Nem os gado mais inverna,
Mas resiste o meu ganzá...

Desta forma eu cantarei,
À siriema podê imitá,
E o cururu eu dançarei,
Prá tradiçón num acabá.

Sady Folch - Um Peregrino da Palavra 
(Folch Lore)

. Crédito da foto - Ponte sobre o Rio Cuiabá: Rai Reis (Cuiabá-MT);

. Ilustração do poeta Silva Freire retirada do livro - "Bugrinho - Que menino é esse?", de autoria de Daniela Freire;

. Foto de Manoel de Barros: DVD "Só dez por cento é mentira - Desbiografia Oficial de Manoel de Barros".

João Bosquo

Sete Sentidos

Não importa o abrir e fechar de portas
é sábado e nos restar o caminhar,
sempre em frente, essa é a direção
determinada, embora sob contrariedade

O abrir e fechar também acelera,
repara, as batidas do pobre coração
se de poeta, agricultor ou enfermeiro
recém saído da faculdade pra vida

O piscar também obedece a essa rotina
de abrir e fechar os olhos pálidos em ver
todas as coisas do mundo que permanecem...

O peixe constante abre e fecha as guelras
ao subir e descer os rios rumo ao Pantanal
e sem perceber penetra nos sete sentidos.