Antônio Cláudio Soído

MILAGRE

Quando, senhora, vos envio ou dou-vos
Tão escuro presente,

Que idéia tive eu, que pensamento
Me atravessou a mente?

Do vegetal combusto oferecer-vos
Pulverulenta quarta!...

Mas deixai-me falar e, após, senhora,
Ride até ficar farta.

Da água do mar, enjoativa, amarga,
Extrai o sol a chuva tão querida;
Em seu laboratório a terra muda
O vil adubo em condição de vida!

A arte humana, sombra da divina,
Também transforma escórias num tesouro,
E vós, que possuís em alta escala,
Podeis mudar esse carvão em ouro.


*Nasceu no Espírito Santo, a 26 de abril de 1822. Veio para Mato Grosso em 1857, e falece en 12 de maio de 1889.

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