Antônio Sodré


na manhã que se segue
os sinos não dobram mais
por Elizabeth!

perdeu os ouvidos
e não ouve mais
o coaxar das rãs
o mugido do boi
o piar do grilo...

(nem o sino ela ouve mais...)

por isso é que eles não dobram
nem por ela, nem por mim,
nem pelo quinto serafim!

não há mais sinos,
não há mais meninos.
cantar de rodas não se ouve mais...
tropel de cavalos não se ouve mais.
é no ar que se travam batalhas.


Antonio Sodré é o nome do autor desse poema: "um sacerdote dessa arte tão difícil, missionário das mais de mil letras. ele afirma que já morreu mil vezes: el poeta de la transmutación", segundo Eduardo Ferreira.

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