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Morre Joaquim Poeta, rei do Congo por 25 anos  

Fonte: Alline Marques/RDNews

Vila Bela da Santíssima Trindade está de luto e chora pela morte de sua autoridade máxima, o rei do Congo, Joaquim das Neves Fernandes Leite, aos 67 anos. Ele faleceu no final de semana, vítima de câncer de estômago, após 25 anos de reinado.

Ser rei do Congo em Vila Bela não é apenas uma figura representativa da cultura. Trata-se do morador de maior importância para a população na cidade. Afinal, a dança do Congo também é muito mais do que uma simples manifestação cultural. Ela representa a resistência e luta dos negros que sobreviveram ao tempo de abandono e esquecimento pela qual o município passou em meados do século XIX, com a transferência da capital para Cuiabá. É feita com sentimento, pois é a história de seus antepassados que está sendo encenada pelos dançarinos do Congo.

E é por isso que a população de Vila Bela, com o seu jeito peculiar de viver, baseada na cultura africanca, que ainda é muito forte no município, e acostumada a lutar pela sobrevivência, demonstra solidariedade nos momentos de dificuldades e todos se mobilizam para ajudar. Durante o velório de seu Joaquim, o caixão foi carregado pelos soldados do Congo, o que representa o respeito que os moradores tinham por ele.

O poeta, como Joaquim era respeitado e admirado por todos, pertencia à Irmandade de São Benedito, responsável pela organização da festança de Vila Bela, que acontece sempre em julho. Após 25 anos, o povo vila-belense terá um novo rei do Congo, que é escolhido com o aval da população. Os congueiros vão se reunir para definir quem será o próximo rei. Ele precisa ter conhecimento da cultura, respeito à tradição, sabedoria e principalmente a estima dos moradores, para que possa exercer seu reinado com tranquilidade.

O secretário Municipal de Cultura, Jonice Aparecido Marques de Almeida, disse que dois nomes estão sendo cotados para se tornar a nova autoridade máxima de Vila Bela. São eles: Antônio Coelho e Urbano Fernandes Leite, que é parente de Joaquim das Neves. Este povo de tradição não passa um ano sequer sem celebrar os festejos de São Benedito, o santo negro que representa à população local. Jonice Marques diz que o Congo é a identidade cultural do povo. Ele contou ainda que a festança deste ano será realizada de 16 a 27 de julho.

 
Congo

A Dança do Congo é uma manifestação devocional a São Benedito. Os dançarinos fazem a dramatização de uma luta simbólica entre dois reinados africanos. O vestuário é que mais chama atenção, principalmente pelo colorido e brilho das roupas. Os capacetes enfeitados com penas de ema, flores de papel e fitas coloridas são os adereços de mais destaque. Os congueiros são guardiões do santo, responsáveis por levá-los até a igreja. Não entram na igreja. Esperam na porta a saída da imagem de São Benedito para poder carregá-la novamente. Acontece que, na época da escravidão, os negros eram proibidos de entrar na igreja e, por isso, essa encenação representa o preconceito sofrido naquele período.

Os dançarinos carregam na cintura um cantil com uma bebida chamada “kanjinjin”, que tem a função de estimulante, para garantir que consigam dançar por dois dias seguidos, praticamente sem parar, em louvor a São Benedito.

3 comentários:

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