Lucinda Nogueira Persona

Tuiuiú

De nossas necessidades
faço histórias, ponderações, estudos
explicação comum de tuiuiú em tenho:
ele passou da conta no crescer

o tuiuiú, quando acorda e abre as asas,
ultrapassa as bordas do amanhecer
deste modo,
o espaço aéreo só comporta um.

O tuiuiú é tão grande, tão grande que
ao levantar vôo
o céu sai de perto.

Por fim, Senhor meu, por fim
quando um tuiuiú vai a óbito
(por nesta vida não falta adversidade)
quando um tuiuiú vai a óbito,
as borboletas requisitam guindaste
(pelo meno para as penas - do lado do coração).

* Lucinda Nogueira Persona (1947, PR), poetisa, ficcionista infanto-juvenil, professora universitária, bióloga pela UFMT, Especialista em Política Educacional e Legislação do Ensino, também pela UFMT, e Mestre em Histologia e Embriologia pela UFRJ; realizou cursos de Aperfeiçoamento na Universidade do Chile. Ministrou cursos de Especialização e Reciclagem para Biólogos e Professores de Ciências. Obras: Ele Era de Outro Mundo (1997), A Cidade Sem Sol (2000), Leito de Acaso (2004), Por Imenso Gosto (1995), Ser Cotidiano (1998), Sopa Escaldante (2001); participa do Programa Poetas Vivos (1987) e da Na margem esquerda do rio: contos de fim de século (2002).

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