Amâncio Pulquério de França

Outrora e Hoje

Meu Deus, que gelo, que frieza aquela,
Que indiferença nos olhares seus.
Vejo outra nuvem no horizonte de hoje,
Negra coberta nos azuis dos céus.

Tivera flores meu jardim de outrora,
Tivera rosas de perfume eterno,
Mas hoje as flores sem aroma, secas,
Parecem flores do jardim do inverno.

A Primavera de meus dias, linda,
Sorria leda para o céu de anil,
E o céu faceiro desdobrando - os mantos,
Já teve as falas nas manhãs de abril.

Hoje os cantos que tivera outrora
São tristes cr'oas de cruéis martírios.
Fôra ditoso, já gozara crente,
Vivo perfume dos meus alvos lírios!

Sonhara encantos, deleitosos dias,
Mago castelo de ouropel sonhado;
Feliz eu fôra - mas o manto espesso
Cobriu a tela desse meu passado.

Amâncio Pulquério de França (1846, MT-1881) é o primeiro poeta romântico nascido em Cuiabá. Advogado provisionado, foi o principal redator do jornal O Primeiro de Março. As suas poesias foram publicadas em revistas e jornais sob o pseudônimo "Palmiro". Conforme o historiador Rubens de Mendonça, em História da Literatura Mato-grossense, ele seguiu o estilo de Casimiro de Abreu.

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