Antônio Gonçalves de Carvalho

Flor de Neve

Se a neve fosse planta e flor tivesse,
Tu serias da neve a flor, gerada
Da fria viração ao tênue sopro
à luz da Lua, aos beijos duma fada.

Se a neve fosse planta e flor tivesse,
Tu serias da neve a flor mais bela
Que brilhando na etérea imensidade
Fanal de Amor -, adamantina estrela.

Se a neve fosse planta e flor tivesse,
Tu serias da neve a flor tão pura!
Ah! Teriam em ti achado os homens
O símbolo da mais cândida ventura!

Se a neve fosse planta e flor tivesse,
Tu serias da neve a flor bendita...
Causarias ciúmes aos próprios lírios
Que dos jardins do céu a brisa agita.

Se a neve fosse planta e flor tivesse,
Tu serias da neve a flor querida,
No meio dos invernos - Primavera,
Sobre o gelado chão - ardor da vida!

Melhor que a flor da neve, és tu, formosa,
Alvo anjinho do céu baixado ao mundo
Para servir de tipo de beleza
E os preitos receber de amor profundo.

Antônio Gonçalves de Carvalho, (1844, RJ-†) poeta, jornalista, juiz de direto, deputado provincial; escrevia sob os pseudônimos A. Bueno e Mericano. patrono da Cadeira nº 23 da Academia Mato-grossense de Letras.

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