José Tomás de Almeida Serra

Câmara de Virgem

Quando a luz do luar bate-lhe em cheio
Nas formas de primor escultural,
Julgo fitar a Vênus sensual,
Num langue, voluptuoso, devaneio...

No suave ondular do lindo seio,
Julgo ouvir uma música ideal,
Que me transporta à plaga celestial
De uma aurora louçã ao bruxuleio.

Sinto, então, essa febre de desejos
Que nos acende a fruta proibida,
No mais doce e propício dos ensejos...

E vendo-a seminua, adormecida,
Cubro-a de um turbilhão de beijos:
"Morte, morte de amor, melhor que a vida"!

José Tomás de Almeida Serra (1866, MT-1889), poeta, jornalista e Escrivão de Feitos da Fazenda Militar. É patrono da Cadeira n.º 34 da Academia Mato-grossense de Letras.

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