Otávio Cunha Cavalcanti

Êxtases

Ontem, pensando em ti, passei o dia,
O dia todo numa inquietude
De sabiá, que o ninho tece e fia,
Antes que o tempo de repente mude.

Embora a crença em nosso amor se escude
Numa esperança, que nos delicia...
Longe de ti, tudo parece rude...
- Galhos quebrados pela ventania...

Longe de ti... a vida é um mar bravio,
Num fragor retumbante de escarcéus;
Junto de ti! - é um leito alvo e macio.

Quando em êxtases fico a te mirar,
- Vejo a terra subindo para os céus...
- Ou os céus descendo para nos levar!

Otávio Cunha Cavalcanti (1884, PE-1968), formado em Direito pela Faculdade do Recife, foi promotor no Pará e juiz de Direito de Poconé, Rosário Oeste e Cuiabá, chefe de Polícia e desembargador. Membro da Academia Mato-grossense de Letras, onde ocupou a Cadeira nº 30, da qual é patrono Manuel Esperidião da Costa Marques, publicou seus poemas e outros escritos na impreensa local; segundo Rubens de Mendonça um dos grandes nomes do Romantismo mato-grossense.

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