Arnaldo Serra

Bucólicas Cuiabanas

Desliza o belo rio, plácido e sereno,
Às carícias de amor dos verdes saranzais,
Donde a garça gentil distende o vôo ameno.
E o martim-pescador, do galho dos inagais,

Esponta as longas asas, de ambiente pleno,
Acordando-o, parece, a gritos de cristais.
Fere o meio do rio, impávido e pequeno,
E do colo das linfas erguem-se os biguais.

Abica-se ligeiro a trêfega canoa.
O pescador apanha o matim da proa
E isca o anzol. E canta e espraia antiga mágua.

Corre, de vez, o peixe à profundeza a fora.
Ferra o caniço! Em vão. A presa vai-se embora,
E o velhinho, a sorrir, cospe três vezes n'água...

* Arnaldo Serra (1885, MT-1943) , poeta, cronista e jornalista, trabalha como agente fiscal e inspetor fiscal do Imposto de Consumo, na cidade do Rio de Janeiro, onde falece. Sócio-correspondente da Academia Mato-grossense de Letras no Rio de Janeiro. Obras: Páginas Íntimas (1929) e Aronitas (1932).

Nenhum comentário: