Lamartine Ferreira Mendes

A Palmeira

Olha a palmeira, a sós, cujo bonito,
Esbelto fuste é já tão alto, e cresce,
No desejo talvez doudo, inaudito,
De noivar com o Sol, que resplandece.

Morde-lhe o pé a multidão refece
Das árvores anãs, entre o granito:
E ei-la moça e graciosa, até parece
Um traço, unindo a terra ao infinito.

Cresce, e a nada se anima para a altura
Galgar e bebe luz, numa tonteira,
E abre a espata, abençoando a flor e o espinho.

Na sua aspiração grandiosa e pura,
Homem, imita o exemplo da palmeira:
Subir bastante, mas subir sozinho.

*Lamartine Ferreira Mendes (1895, MT-?), poeta, professor e promotor de Justiça e auditor da Justiça Militar da Força Pública de São Paulo, onde moro por vários anos, por isso sendo reivindicado como escritor paulista. Membro da Academia Mato-grossense de Letras.

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