Ulisses Cuiabano

Garimpo do Meu Sonho

Nos golfos, nos monchões, nas brutas grupiaras
Dos ínvios charrascais misteriosos da vida,
Garimpeiro viril rebusca, em dura lida,
Esmeralda e rubi, topázio e gemas caras.

Ei-lo, audaz, a descer nos peraus onde Uiaras
Lhe oferecem, cantando uma canção dorida,
O seio palpitante, dolorosa guarida
De gozos sensuais, de volúpias tão raras.

Depois, à flor da Ninfa, o mineiro aparece,
Trazendo o rebo, e, então, a bateia balança
No desejo de achar a pedra que apetece.

Poeta, como o audaz mergulhador, risonho,
Cascalhos da Ilusão a lavar, com pujança
Lindos versos trazeis dos Garimpos do Sonho.

 

*Ulisses Cuiabano (1891, MT-1951), professor, poeta e ativista cultural; membro da Academia Mato-grossense de Letras e do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso.

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