João Bosquo

Caeira

Uai, uá, aiuê! mais um!
Vai morrer mais um
Nessa pedra branca cal
Nessa vida alimentada a cal
Cal nosso de cada dia
Fins de nossos fins

Cal branco, branca poeira
Nuvem maléfica a fio
Deixa o pássaro sem pio
Deixa a vida sem mais um

Menos um, menos dois, menos três
Menos vida, menos sol, menos rio
Só, somente a cal a simplificar

Cal do demo, do anjo mau, capeta incorporado
Cal da peste braba, da fúria cega, moléstia malsã
Cal malfeitor, feitiço malfazejo derramado
Do santo graal
                       Nas nossas veias
                                                 Desmanchando
Nossas entranhas
                           Desbotando nosso sangue.

Este poema Caeira foi escrito logo após terminar de ler o romance homônimo de Ricardo Guilherme Dicke. Uma história que me marcou muito, pela sua paisagem, principalmente, e seus personagens.

2 comentários:

afonso alves disse...

meu caro
que blog legal
parabens
afonso alves
varzea grande

afonso disse...

de quem é esse site?
afonso-alves@hotmail.com