Sady Folch - Um Peregrino da Palavra

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# PÔR DO SOL DE UMA SAUDADE

EU TENHO O PÔR DO SOL DE UMA SAUDADE,
QUE DE TANTO RASGAR O HORIZONTE,
DESCANSOU EM MEU PEITO UMA VONTADE,
ONDE A ALMA PANTANEIRA FEZ A PONTE,
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EU SOU AS TUCANDIRAS DAS ESTRADAS,
E DELAS O CAMINHO À SUA BEIRA,
A REVOLVER EM MARCHAS ARRAIGADAS,
AS TERRAS DE FAZENDAS SEM FRONTEIRA,
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SER NOS MARES DAS GARÇAS ESGARÇADAS,
O VOO SOBRE O OLHAR DOS JACARÉS,
DOS ARES, COMITIVAS DELICADAS,
A REVOAR POR SOBRE IGARAPÉS,
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SOU MATAS QUE NUM TEMPO SE ARREBANHA,
AS ÁGUAS QUE AS INUNDAM SUAS MARGENS,
NATUREZA E FARTURA NOS ASSANHA,
O RENASCER ETERNO DAS PASTAGENS,
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QUERO-QUERO, SOCÓ E O BEM-TE-VI,
TRINCA-FERRO, PETRIM E PAJEÚ,
TICO-TICO, O ANU E O SIRIRI,
E VOAR COM O VELHO TUIUIÚ,
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ÀS MARGENS DO FECUNDO PANTANAL,
NAS PARAGENS DO CÉU, JIBOIA AO SOL,
ESCUTANDO AS RAÍZES EM SARAU,
ENTOANDO POEMAS NO ARREBOL,
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ALIMENTAR DA AZUL SABEDORIA,
E QUAL O PACIENTE PESCADOR,
VIR RECEBER DAS ÁGUAS HONRARIA,
QUE VERTE A TUA FOME PECADOR,
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ENTÃO QUANDO ENCONTRAR-ME COM AS LUAS,
EU DORMIREI AO FOGO DAS ESTRELAS,
SONHAREI COM ANTIGAS LENDAS NUAS,
QUE PRETENDEU CONTÁ-LAS AO FAZÊ-LAS,
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E ME LEVANTAREI COM A ALVORADA,
PARA NADAR AO LADO DE UM JAÚ,
E DESCANSAR EM VOO À PASSARADA,
PARA TORNAR-ME À TARDE NUM PACU.
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Sadi - Um Peregrino da Palavra

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