Maíra Uyara

Alfinetes.

          ~Eu nunca vou ser suficientemente alguma coisa.

          Sou insuficiente. Sou incompleta.

          Há mais buracos em mim que eu.

          Nada muda. Tudo muda.

          As lembranças espetam-me como alfinetes.

          As angústias passam-me pela garganta como alfinetes.

          As lágrimas ardem como ácido.

          Eu não sou perfeita. Eu não preciso ser perfeita.

          Um dia sou menos. Outro dia sou mais.

          Parece até que há um equilíbrio.
         

          ~Minha pequena.

2 comentários:

Aline Anselmo disse...

A perfeição é algo indescritível
algo muito longe de ser apropriado
por um ser errante e aprendiz

Apesar da beleza,da docura
do sensato,do lógico
Tudo tende a imperfeição
nada ruim,
apenas humano

Composer disse...

O início deste poema me lembrou Fernando Pessoa em Tabacaria, poema que gosto muito.
"Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo."
Gostei muito deste blog, dos poetas de MT... precisamos muito valorizar as pessoas que enriquecem nossa cultura...
=]