Danilo Zanirato

Compreender-me? A tanto não se atreva.
Sou dúbio, ensimesmado em divisões
de entulhos e memórias espalhados
entre pilhas de amores e carinhos,
logo a mim, caridosamente dados.

Acaso ousas, ver-se-há em prantos
de ver o quanto peco no descuido
em meus amores. De ver quantas falhas
e quantos dissabores vou causando
às pessoas que adoro e devo tanto.

E, quando estou ferido em meu orgulho,
limpo meu ego e estou de novo forte.
Mas se desabo em falta de amor próprio
ah, meu bem, caio em dores, fico em trapos
e nem calmante ou vinho taz meu sono.

Mas, quando vem a paz e a calmaria,
quando a saudade enfim me traz de volta
esse desejo ardente, é em tí que tenho
meu reconforto, meu acolhimento,
minha troca de amor, meu sexo e tudo.


DANILO ZANIRATO

Um comentário:

José Luiz disse...

Grande Danilo Zanirato.
O médico poeta ou
o poeta médico.
Abraços,
Jose Luiz Silveira ballock