José Estevão Corrêa

Isabel, Adeus!

Não vês, artista, esfolhadas, murchas
dos seiso nossos as convulsas palmas?
e a angústia funda nos banhar a face
queimadas e opressa por ardentes chamas?

Não vês... não ouves o gemer do vento
por entre a verde laranjeira em flor,
saudoso e triste como o triste arrulho
da aflita pomba a desatar-se em dor?

Não vês chumbadas de pesadas nuvens
a imensa concha do infinito azul?
sem luz que amiga nos indique o norte?
sem uma estrela nos confins do sul?

É que, donzela, vais deixar-nos breve,
talvez, quem sabe, para não mais voltar:

e o agudo espinho da saudade amarga,

já desde agora, nos vem maltratar!

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José Estevão Corrêa (1840-1917), poeta,jorrnalista, funcionário público e político, se elegendo deputado provincial por duas legistaturas.

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