MARIA DORINHA

TEU SEMBLANTE


I

Construo teu semblante em nuvens que vagam.
Aplico-te as matizes das cores do arco íris.
Paro, esqueço e rememoro...
Para que? Se nem sei a que pertenço...
E de nuvem teço o impossível
em miragem e devaneio.
A tão distante o desejo cala,
se não é o teu rosto, o porquê o corpo exala?
Transmuto-te em quadros de anjos, de querubins e de demônios.
Homem imortal que me assola a vida, que sempre és irreal...

II

Do querer, invento-te em papel machê multicolorido,
que amasso, mas depois recolho...
Moldo-te em forma de vida, tecidas pelas mãos habilidosas.
Mas, tu nunca se reconheces a distancia entre o coração e a paixão.
E o que devo fazer? Ao léu vejo dissipar o teu semblante,
e a minha inumanidade humana, do tudo, fez-se o nada...

III

Caminho em luto, que por ora a nau me chama,
que nunca vejas a minha partida, para o gozo da minha’lma...
Há tempestade que dissipa as nuvens, mas, que me acalma.
E vejo que as minhas carícias e o meu gozo naufragam,
por que para tomá-las é não ter rosto.
É machucar sem ferir.
É partir sem nunca ter chegado.
É sumir-se pelo céu desértico e árido...

IV

Guardo-me transvertida de luto, cantando uma canção fúnebre.
Mas como te enterrar?
Se o vento que te levou é o mesmo que saúda a minha vida
e encharca meu desejo de sempre revivificar,
por um amor que não esvazia no ar.
E que sejas um guerreiro, que saiba domar as várias vertentes de meu amar...

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