Tenho ânsia da vida,
naturalmente sou natureza viva,
Ora como a brisa morna dos trópicos
ora um furação em alto mar.
Ensejo o desejo...
Que me importa o desterro?
O meu corpo plácido em espelho
adorna-se em contorno puro de cor púrpura.
Hã os desejos, por que hei de cobrir-lhes
com o fino trato de organza?
Cansada de ser um não – ser,
Cujo o tempo de existência me engana...
Porque hei de ser mansa, se em mim
tudo ruge e brama?
Por que hei de desejar em penumbra
o que quero é a brasa
que marca minha pela alva e calma...
Por que devo fechar em pandora,
se o meu relicário é minha alma
sobretudo é o corpo que a emana
e ama...

Maria Dorinha, 23/10/2010

Um comentário:

beneditocglima disse...

li e gostei do espaço e também do texto.parabéns.