Rubens de Castro


O HOMEM

Essa explosão de células que anima
Nosso corpo tão frágil e mesquinho,
Nada possui de nobre que a redima
Da sina de trilhar o seu caminho!

Veio do pó, e dele se aproxima
Cada dia que passa, em torvelinho,
Como o culpado que a justiça intima,
A escalar, passo a passo, o pelourinho!

O espírito somente é que é divino!
De sinfonia humana – é o violino,
O lírio que no pântano descerra!...

Mas, a verdade é força e rompe véus...
Se o corpo é um verme que rasteja a terra,
A alma é um cisne que demanda os céus!
                                     
*Rubens de Castro nasceu em Lençóis, Estado da Bahia, a 3 de julho de 1915. Veio para Cuiabá, onde se casou. Mais tarde fixou residência em Corumbá. Dirigiu, com João Antônio Neto e Agenor Ferreira Leão, o jornal literário Ganga.

Um comentário:

Afonso Alves disse...

bem profundo. gostei.