Antonio Carlos Lima

TRECHOS DE POEMAS

Soneto do Abandono
O vento varre a varanda e chia,
levando o cheiro do pequi pra rua.

A água fria lava a alma nua
e o Sol se afunda na grande bacia.
Rasgando o ventre horizontal da Terra,
na serra nasce colossal a lua.

A nau de prata lá no céu flutua,
cai na lagoa e a vaca berra.
A cuia cheia de água da chuva
mergulha no batelão de ximbuva,
que encalhou no tempo, lá na praia.

Nau pantaneira que só não afunda
porque sentaram-lhe no chão a bunda
e, d'areia, o vento fez-lhe saia.

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