João Bosquo

De Poetas Tortos e Anjos Manés

Eu vi o poeta saindo de mãos dadas
com um anjo torto
Nem o poeta e assim também o anjo
são capazes de engrenar um poema
de contramão para levantar a musa
madrugada manhã junto com o sol

O poeta - não apenas ele - só conhece
os tortos, os avessos, os diferentes
os Manés, os Garrinchas
os sem sentidos que embarcam, sim,
em canoas furadas

A poesia, meio que afoga, mas
mesmo sem saber nadar, se salva
segurando o rabo do sarã...

O poeta, coitado, sem rimas, remos
sem timoneiro, sem asas despedaçadas
volta ao velho cais do bairro do Porto,
Cuiabá, Mato Grosso, Brasil...

A paisagem, assim como o rio,
não é a mesma depois de cada pôr do sol
que se concretiza dia-a-dia
além do grande mar Pantanal.

29/03/2014

Um comentário:

Rubem Dutra disse...

É o sangue de poeta que correm nas suas veias, que bombeia as mais linda palavra e versos para nos alegrar, gostei muito! abra
ços