Vagner Braz

TRANS


Não... Optei-me ser o que sou
Não... Propus-me sentir como me experimento
Todavia naveguei feito de tal modo,
Embora que fragmentado
Abrolhei mulher/homem
Versus minha pretensão,
Com a equidade de um homem, assevero:
Não sei o ensejo, nem ainda o pretexto ou se seria uma punição
Questiono-me todo dia
O porquê?
Nascer, viver e, que o destino me explique,
Morrer assim todo torto
Não me resta mais nada
Mas não se imêmore
Embora que o amor não seja de resistência
Tenho mesmo um coração exorbitante
que ama, ama, ama...
Dentro do Homem errado.




"Mas há um poema que desde a primeira vez que eu li chamou-me a atenção, trata-se de Trans. Lembram do poeta que faz um convite as pessoas a viverem o “sim”? Nesse poema, apesar de ele começar com uma sentença negativa ela encerra um “sim” a vida que ele escolheu. Esse Ser que nasce abrolhado em mulher/homem, que não sabe se isso é um pretexto ou uma punição, quer uma explicação, e coloca a sua esperança no Destino. Esse Destino que lhe traiu, mas que ele ainda confia numa resolução, que essa resolução seja apenas uma resposta. Desiludido confessa que pode morrer assim todo torto e lamenta o tanto de amor que tem dentro do seu coração e declara que esse amor nasceu dentro do Homem errado. Há marcadamente os traços de homossexualidade nesse poema, de um homem que sofreu as injúrias da sociedade porque ela considera isso um desvio de conduta, apesar dos investimentos à conscientização da sociedade." (Fragmento da Apresentação do Livro Versos de Almas / Vagner Braz (a obra se encontra em processo de editoração), Escrita pelo Weberson Fernandes Grizoste - É professor de latim e estudos clássicos, pesquisador, escritor e poeta. Possui Licenciatura Plena em Letras pela Universidade do Estado de Mato Grosso (2006), é Mestre em Poética e Hermenêutica pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra – FLUC (2009) e Doutor em Poética e Hermenêutica na mesma Universidade (2014), reconhecidos no Brasil em Teoria e História Literária pela UNICAMP. É membro do Centro de Estudos Clássicos e Humanísticos (Coimbra) e do Centro de Estudos João Calvino (São Luís) e do NICEBA - Nucleo de Investigação da Cultura e da Educação do Baixo-Amazonas (Parintins). Autor de quatro obras e diversos artigos publicados inclusive no exterior (Argentina, Brasil e Dinamarca), as obras são: A dimensão antiépica de Virgílio e o Indianismo de Gonçalves Dias, Coimbra, CECH, 2011;Carrapicho, São Paulo, Ixtlan, 2011; Estudos de Hermenêutica e Antiguidade Clássica, Coimbra, Ed. de Autores (2013), este último em parceria com Katsuzo Koike; Jaracatiá, São Paulo, Ixlan, 2013. Atualmente é Professor efetivo da Universidade do Estado do Amazonas – UEA.)

2 comentários:

Rubem Dutra disse...

Vagner agora pegou pesado, muito interessante,bem diferente dos poemas que já li, é como as ondas do mar,cada momento apresenta deferente e sem poder se definir-las, o que importa é que ela sempre se renova, o novo é que faz a diferença, continue a renovar!abraços

VAGNER BRAZ disse...

Muito Obrigado, Rubem. suas palavras me faz buscar ainda mais o sonho que tenho em minha alma.