Lobivar Matos

Lavadeiras


A manhã, – lavadeira velha –
esfregou o sol
e o estendeu na terra pra secar.

As casinhas de madeira
tortas
beiçudas
remendadas de lata

circulando o morro,
abrem os olhos, que são janelas quebradas,
e ficam olhando o rio
que, sinuoso,
passa, correndo, em baixo.

Umas mulheres gordas
carregando bacias de roupa na cabeça
descem o morro e vão à beira do rio.

São as lavadeiras.
As mulheres heroicas,
que trabalham para sustentar os filhos,
aqueles meninos amarelos e barrigudos
que ficaram em casa
choramingando uma choraminga de fome.

São as lavadeiras.
As mulheres conformadas,
que apanham dos maridos,
dos maridos vagabundos,
dos maridos jogadores,
que bebem cachaça nos boliches
e, depois, em casa, espancam os filhos,
descompõem as mulheres,
em vez de trabalharem também!

Um comentário:

Alla Leopoldina disse...

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